Uma solicitação de amizade chega pelas redes sociais.
A fotografia mostra uma pessoa atraente. Ela inicia uma conversa, demonstra interesse e a interação rapidamente evolui para uma paquera.
Em determinado momento, surge a proposta de trocar fotografias ou vídeos íntimos.
A vítima aceita.
Pouco tempo depois, a situação muda radicalmente.
A pessoa com quem estava conversando afirma ser menor de idade — ou simplesmente desaparece.
Em seguida, surge um novo personagem.
Pode ser o suposto pai ou mãe da adolescente. Em outras versões, um advogado, policial ou até alguém que se apresenta como delegado.
A mensagem é assustadora: a vítima teria mantido contato sexual com uma menor e será denunciada à polícia.
Depois da ameaça, porém, aparece uma proposta:
“Podemos resolver isso sem envolver a polícia.”
E começa a cobrança de dinheiro.
Essa é uma das formas do chamado golpe da falsa menor de idade, modalidade de fraude que pode envolver sextorsão e extorsão.
O que é sextorsão?
A palavra deriva da combinação de conteúdo sexual com extorsão.
De forma simples, ocorre quando alguém utiliza imagens, vídeos, conversas ou outras informações de natureza íntima como instrumento para exigir dinheiro ou alguma outra vantagem da vítima.
Existem diversas formas de praticar esse tipo de crime.
Em uma delas, o criminoso consegue uma fotografia íntima e ameaça divulgá-la para familiares, amigos ou colegas de trabalho.
Em outra, cria toda uma história envolvendo uma suposta pessoa menor de idade.
O elemento comum é a utilização do medo da exposição para pressionar a vítima.
Como funciona o golpe da falsa menor de idade?
Embora existam variações, a fraude costuma seguir algumas etapas.
1. O contato
Um perfil desconhecido entra em contato pelas redes sociais ou aplicativo de relacionamento.
A conversa pode parecer perfeitamente normal no início.
2. A sedução
O criminoso tenta estabelecer intimidade rapidamente.
A conversa passa para assuntos sexuais e pode haver envio de fotografias supostamente pertencentes à pessoa representada pelo perfil.
Depois, a vítima é incentivada a também enviar conteúdo íntimo.
3. A revelação
Após conseguir fotografias, vídeos ou conversas comprometedoras, vem a informação:
a pessoa seria menor de idade.
É justamente essa revelação que produz o impacto emocional necessário para a próxima etapa.
4. A ameaça
A vítima pode receber mensagens dizendo que a polícia será procurada, que seus familiares serão avisados ou que sua reputação será destruída.
Também pode aparecer um suposto familiar da menor.
Em algumas versões, o criminoso afirma que a adolescente tentou se machucar, que precisou de atendimento médico, que destruiu um telefone ou que a família teve algum prejuízo em decorrência do episódio.
5. A proposta de “acordo”
Depois de criar o medo, o criminoso oferece uma saída:
dinheiro.
O suposto familiar diz que desistirá de procurar a polícia se receber determinado valor.
Em outros casos, inventa uma despesa que deverá ser ressarcida.
O objetivo é fazer com que a vítima associe o pagamento à possibilidade de fazer o problema desaparecer.
Por que esse golpe pode ser tão eficiente?
Porque explora três sentimentos extremamente poderosos:
- Medo;
- Vergonha;
- Urgência.
A vítima pode pensar:
“E se isso for verdade?”
“E se minha família descobrir?”
“E se eu for preso?”
“E se enviarem minhas fotografias para todo mundo?”
O criminoso não quer que a vítima tenha tempo para refletir.
Por isso, cobranças desse tipo frequentemente vêm acompanhadas de pressão para pagamento imediato.
A pessoa assustada pode realizar um PIX simplesmente para tentar encerrar a situação.
Pagar encerra o problema?
Não necessariamente.
Esse é um dos maiores riscos.
Se o criminoso perceber que a vítima está disposta a pagar para evitar a exposição, pode surgir uma nova cobrança.
Depois outra.
E outra.
A justificativa também pode mudar.
Por isso, não há segurança de que pagar uma chantagem fará o criminoso desaparecer.
O falso pai
Uma das versões mais conhecidas envolve alguém que se apresenta como pai da suposta adolescente.
O discurso pode começar extremamente agressivo.
Depois, o personagem muda de postura e diz não querer “acabar com a vida” da vítima.
Propõe então resolver tudo particularmente.
Esse contraste entre ameaça e aparente compreensão pode fazer parte da engenharia social utilizada no golpe.
O falso policial ou delegado
Outra estratégia é utilizar a autoridade policial para aumentar o medo.
A vítima pode receber uma ligação ou mensagem de alguém que afirma ser policial ou delegado e conhece seu nome e algumas informações pessoais.
Pode haver fotografia de uniforme, brasão, documento ou qualquer outro elemento destinado a transmitir credibilidade.
A regra aqui é importante:
não faça pagamentos simplesmente porque alguém se apresenta como autoridade.
Uma autoridade policial legítima não negocia um pagamento particular para impedir uma investigação de um suposto crime.
E quando não existe a história da menor?
Há também a sextorsão propriamente dita.
O criminoso consegue imagens íntimas e depois mostra à vítima que encontrou seus familiares, companheiro ou companheira, amigos e colegas de trabalho nas redes sociais.
Em seguida, ameaça:
“Pague ou vou enviar para todos.”
O mecanismo é praticamente o mesmo.
A vergonha é transformada em instrumento de extorsão.
A vítima deve apagar as conversas?
Não.
Esse pode ser um erro importante.
A vontade de apagar imediatamente aquilo que causa constrangimento é compreensível, mas as mensagens podem constituir elementos importantes para demonstrar como a fraude ocorreu.
É recomendável preservar, conforme o caso:
- Conversas e áudios;
- Capturas de tela;
- Endereços e nomes dos perfis;
- Números de telefone;
- E-mails;
- Ameaças recebidas;
- Chaves PIX;
- Dados das contas utilizadas;
- Comprovantes de transferências já realizadas.
E se já tiver feito um PIX?
A vítima deve agir rapidamente.
É recomendável entrar em contato imediatamente com a instituição financeira, informar que se trata de uma possível fraude e verificar as providências disponíveis.
Também é importante:
- Preservar os comprovantes;
- Guardar as conversas;
- Registrar os dados da conta destinatária;
- Comunicar o ocorrido às autoridades competentes;
- Buscar orientação jurídica quando necessário.
Quanto mais rapidamente a vítima agir, maiores serão as possibilidades de documentar adequadamente o ocorrido e adotar as medidas cabíveis.
A vergonha é uma ferramenta do criminoso
Talvez esse seja o aspecto mais importante desse tipo de golpe.
Muitas vítimas não procuram ajuda porque sentem vergonha de explicar o que aconteceu.
O criminoso sabe disso.
Na realidade, ele depende disso.
Quanto mais isolada estiver a vítima, maior a capacidade do criminoso de controlar a situação por meio do medo.
Por isso, diante de uma possível extorsão, esconder o problema e continuar pagando pode apenas prolongar a fraude.
Como evitar a sextorsão?
A principal recomendação é extremamente simples:
não envie fotografias ou vídeos íntimos para pessoas cuja identidade você não consegue confirmar.
Perfis podem ser falsos.
Fotografias podem pertencer a terceiros.
Vídeos podem ser reutilizados.
E, com as ferramentas tecnológicas disponíveis atualmente, a aparência de autenticidade de um perfil não deve ser confundida com prova de identidade.
Também é recomendável:
- Evitar compartilhar informações pessoais excessivas;
- Restringir a exposição de familiares e contatos nas redes sociais;
- Desconfiar de abordagens que evoluem rapidamente para conversas sexuais;
- Não realizar pagamentos motivados por ameaças;
- Preservar provas diante de qualquer tentativa de extorsão;
- Buscar ajuda em vez de tentar resolver a situação sozinho.
FAQ — 20 perguntas e respostas sobre o golpe da falsa menor de idade e sextorsão
1. O que é o golpe da falsa menor de idade?
É uma fraude na qual criminosos fazem a vítima acreditar que manteve conversas ou trocou conteúdo íntimo com uma pessoa menor de idade e, posteriormente, utilizam essa história para exigir dinheiro.
2. O que significa sextorsão?
É a utilização de conteúdo íntimo, sexual ou comprometedor como instrumento de ameaça para obter dinheiro ou outra vantagem da vítima.
3. Esse golpe acontece somente com homens?
Não. Embora determinadas versões sejam frequentemente direcionadas a homens, a sextorsão pode atingir qualquer pessoa.
4. Como os criminosos encontram as vítimas?
Podem utilizar redes sociais, aplicativos de relacionamento, serviços de mensagens e outras plataformas digitais.
5. O perfil da mulher necessariamente é falso?
Não é possível presumir isso em qualquer situação concreta. No golpe, entretanto, criminosos utilizam perfis falsos, identidades de terceiros ou informações manipuladas para construir a fraude.
6. Como saber se estou diante desse golpe?
Alguns sinais são:
- Intimidade extremamente rápida;
- Solicitação de fotografias íntimas;
- Revelação repentina de que a pessoa seria menor de idade;
- Ameaças;
- Exigência de dinheiro para evitar uma suposta denúncia;
- Pressão para pagamento imediato.
7. O suposto pai pode fazer parte do golpe?
Sim. O aparecimento repentino de um suposto familiar exigindo dinheiro é uma das características conhecidas dessa modalidade de fraude.
8. Um suposto policial está me cobrando dinheiro para evitar o registro da ocorrência. Isso é normal?
Não.
Autoridades policiais não negociam pagamentos particulares para impedir a investigação de crimes.
Uma cobrança desse tipo deve ser tratada com extrema cautela.
9. O criminoso conhece meu nome e endereço. Isso prova que a história é verdadeira?
Não.
Dados pessoais podem ser obtidos por diversas fontes. Conhecer informações sobre a vítima não comprova a identidade de quem está fazendo contato.
10. Devo pagar para encerrar o problema?
Não realize pagamentos motivados por ameaça ou chantagem sem procurar auxílio.
O pagamento pode não encerrar a extorsão e pode estimular novas exigências.
11. Já paguei. O que devo fazer?
Preserve o comprovante, entre rapidamente em contato com sua instituição financeira, informe a suspeita de fraude e procure as autoridades competentes.
12. Devo bloquear imediatamente os criminosos?
Antes de eliminar o acesso às mensagens, é importante preservar as provas.
Depois disso, as medidas adequadas dependerão das circunstâncias concretas.
13. Posso apagar as fotografias e conversas porque estou com vergonha?
É recomendável preservar as evidências relevantes.
As conversas podem ser importantes para demonstrar a fraude, as ameaças e as exigências financeiras.
14. O criminoso ameaça mandar minhas fotos para minha família. O que faço?
Não ceda automaticamente à chantagem.
Preserve a ameaça e procure ajuda.
Pagar não oferece garantia de que o material não será divulgado nem de que novas cobranças deixarão de ocorrer.
15. Podem descobrir meus familiares pelas redes sociais?
Sim.
Perfis públicos, listas de seguidores, marcações, comentários e outras informações podem permitir que criminosos identifiquem pessoas próximas à vítima.
16. Uma chamada de vídeo garante que a pessoa seja verdadeira?
Não necessariamente.
Uma chamada pode reduzir algumas formas simples de fraude, mas não deve ser tratada como garantia absoluta de identidade ou das informações fornecidas pela pessoa.
17. E se realmente existir uma pessoa menor de idade?
A situação muda substancialmente e pode envolver questões jurídicas sérias.
Não tente solucionar o problema mediante pagamentos informais.
Preserve os elementos existentes e procure imediatamente orientação jurídica.
18. Fazer um “acordo” com o suposto pai resolve eventual problema criminal?
Não se deve partir dessa premissa.
Eventual responsabilidade criminal não é simplesmente eliminada por um pagamento privado.
Uma proposta de dinheiro para impedir denúncia, especialmente em contexto de ameaça, é um importante sinal de alerta.
19. Como posso me prevenir da sextorsão?
Evite enviar conteúdo íntimo a pessoas cuja identidade não esteja devidamente confirmada, limite a exposição de informações pessoais nas redes sociais e desconfie de abordagens que evoluem rapidamente para conversas sexuais e troca de imagens.
20. Qual é a principal orientação para quem está sofrendo esse tipo de chantagem?
Não entre em pânico e não tente resolver tudo pagando.
Preserve as provas, interrompa o envio de novos conteúdos ou informações, procure as autoridades competentes e, quando necessário, orientação jurídica.
⚠️ Perales Alerta
Os golpes contra usuários de redes sociais estão cada vez mais sofisticados.
A tecnologia muda, as plataformas mudam e os golpes também se adaptam.
Mas a lógica da engenharia social costuma permanecer a mesma:
criar confiança, provocar uma emoção intensa e pressionar a vítima a agir antes de pensar.
No golpe da falsa menor de idade, as principais armas são o medo e a vergonha.
Conhecer a fraude antes de ser abordado pode fazer toda a diferença.
Perales Alerta — Informação que protege você, sua família e o seu patrimônio.






