O golpe do empréstimo consignado pode provocar descontos mensais em aposentadorias e pensões, mesmo quando o beneficiário afirma que nunca contratou o crédito. Também existem fraudes em que criminosos oferecem falsas propostas de empréstimo, portabilidade ou devolução de valores para obter transferências bancárias e informações pessoais.
Para aposentados e pensionistas, identificar rapidamente uma contratação suspeita é fundamental. A consulta ao Extrato de Empréstimos Consignados no Meu INSS, a contestação junto à instituição financeira e a preservação das provas são providências importantes.
Neste artigo, você vai entender como funcionam os principais golpes envolvendo empréstimos consignados, como proteger seu benefício e quais medidas adotar ao identificar uma operação não reconhecida.
O que é o golpe do empréstimo consignado?
O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício previdenciário ou da remuneração de quem contrata. A operação é permitida pela legislação, desde que sejam respeitadas as regras aplicáveis e exista autorização válida do contratante.
A fraude ocorre quando criminosos contratam crédito sem autorização válida, simulam ofertas de empréstimo ou induzem o consumidor a fornecer dados pessoais e transferir dinheiro.
Entre as modalidades mais comuns estão:
- Empréstimos consignados não solicitados.
- Cobranças antecipadas para suposta liberação de crédito.
- Falsas propostas de portabilidade.
- Pedidos fraudulentos de devolução de valores.
- Cartões consignados apresentados de maneira enganosa.
1. Empréstimo consignado não solicitado
Uma situação preocupante ocorre quando o aposentado ou pensionista identifica um contrato que não reconhece.
A fraude pode envolver o uso indevido de documentos, dados pessoais, contas digitais comprometidas ou falhas nos procedimentos de confirmação de identidade.
A existência de um número de contrato ou de um registro eletrônico não significa, isoladamente, que o consumidor tenha consentido validamente com a operação.
É importante verificar:
- Como ocorreu a contratação.
- Quais mecanismos de autenticação foram utilizados.
- Quais documentos foram apresentados.
- Para qual conta os recursos foram encaminhados.
- Quando os descontos começaram.
A análise pode envolver o contrato, os registros de autenticação, os comprovantes bancários e os extratos do benefício.
2. Falso empréstimo com taxa antecipada
Nesse golpe, o criminoso anuncia crédito consignado com liberação rápida, juros reduzidos e poucas exigências.
Depois de conquistar a confiança da vítima, exige uma taxa supostamente necessária para liberar o dinheiro. A cobrança pode ser apresentada como cadastro, seguro, caução ou despesa administrativa.
O Banco Central orienta os consumidores a não realizar pagamentos antecipados como condição para receber empréstimos.
Ofertas recebidas por WhatsApp, redes sociais ou mensagens eletrônicas devem ser verificadas diretamente com a instituição financeira, por meio de canais oficiais acessados de forma independente.
Atenção: não transfira dinheiro para desconhecidos com a promessa de liberar um empréstimo.
3. Golpe da falsa portabilidade
A portabilidade é a possibilidade de transferir uma operação de crédito para outra instituição financeira, observadas as normas aplicáveis. Ela pode ser utilizada legitimamente para buscar condições mais vantajosas.
No golpe da falsa portabilidade, criminosos simulam uma proposta de transferência da dívida para induzir o consumidor a assumir novas obrigações, compartilhar códigos de segurança ou transferir dinheiro.
A vítima pode acreditar que está quitando o contrato antigo quando, na realidade, está participando de uma operação fraudulenta.
Antes de aceitar uma proposta:
- Confira a identidade da instituição financeira de destino.
- Compare as condições totais da operação.
- Verifique os procedimentos de autorização.
- Confirme a efetiva quitação da dívida anterior.
- Não transfira dinheiro a supostos intermediários desconhecidos.
4. Recebi dinheiro de um empréstimo que não reconheço. O que fazer?
Receber inesperadamente um valor relacionado a um empréstimo exige cautela.
Se você não reconhece a contratação, procure imediatamente a instituição financeira por canais oficiais e registre uma contestação formal.
Até que a situação seja esclarecida, evite utilizar o dinheiro.
Também não é seguro fazer um Pix para uma conta indicada por alguém que entrou em contato inesperadamente, mesmo que essa pessoa afirme representar o banco.
A eventual devolução deve ser documentada, verificável e realizada de maneira segura, com orientação formal da instituição responsável.
Contestar o contrato não significa ter autorização para reter recursos que legalmente precisem ser restituídos. O objetivo é regularizar a situação sem criar uma nova oportunidade para fraude.
5. Cartão consignado, RMC e RCC: quais são as diferenças?
Outra fonte de conflitos envolve a contratação de cartão consignado quando o consumidor acreditava estar contratando um empréstimo pessoal convencional.
A RMC corresponde à Reserva de Margem Consignável relacionada ao cartão de crédito consignado. A RCC está relacionada à reserva de margem para cartão consignado de benefício.
Esses produtos possuem características próprias. Dependendo da operação, os descontos periódicos podem não representar a quitação de parcelas fixas de um empréstimo comum.
A contratação dessas modalidades não é ilícita por si só. O problema pode surgir quando faltam informações adequadas, existe consentimento inválido ou são realizados descontos não autorizados.
A solução exige examinar o contrato, as informações fornecidas ao consumidor e a forma como a operação foi efetivamente realizada.
6. Como consultar empréstimos no Meu INSS?
No aplicativo ou portal Meu INSS, o beneficiário pode acessar sua conta Gov.br e pesquisar pelo serviço “Extrato de Empréstimo Consignado”.
O documento permite conferir informações sobre as operações vinculadas ao benefício, incluindo instituições financeiras, parcelas, prazos e margem disponível, conforme os dados registrados.
Também é recomendável consultar o extrato de pagamento do benefício para verificar os descontos efetivamente realizados.
O Registrato, do Banco Central, pode fornecer informações adicionais sobre operações de crédito registradas no sistema financeiro, mas não substitui a consulta específica do Meu INSS.
Se identificar divergências:
- Salve os extratos disponíveis.
- Anote as competências em que ocorreram os descontos.
- Identifique a instituição financeira envolvida.
- Guarde os documentos e protocolos relacionados à contestação.
7. Como bloquear o benefício para novos empréstimos?
O INSS disponibiliza o serviço “Bloquear ou Desbloquear Benefício para Empréstimo”, acessível pelo Meu INSS.
O bloqueio é uma medida preventiva importante para quem não pretende contratar novas operações de crédito consignado.
As regras de autorização e validação de identidade devem ser verificadas conforme a regulamentação vigente. O procedimento pode envolver mecanismos de biometria e, nas hipóteses previstas, alternativas de validação.
Em regra, benefícios recém-concedidos permanecem bloqueados para empréstimos consignados durante os primeiros 90 dias, conforme as normas aplicáveis.
É importante compreender que o bloqueio preventivo não cancela empréstimos já formalizados. Para questionar uma contratação existente, é necessário utilizar o procedimento de contestação correspondente.
8. O que fazer ao descobrir uma fraude no consignado?
Ao identificar uma operação que não reconhece, adote medidas para contestar o contrato e preservar as provas.
Passo 1 — Conteste junto à instituição financeira
Solicite formalmente:
- Cópia integral do contrato.
- Registros de autenticação e consentimento.
- Documentos utilizados na contratação.
- Comprovante do destino dos recursos.
- Histórico dos descontos realizados.
- Número de protocolo da reclamação.
Passo 2 — Preserve as provas
Guarde extratos do benefício, extratos bancários, mensagens, e-mails, comprovantes de transferência e protocolos de atendimento.
Passo 3 — Registre boletim de ocorrência
Quando houver indícios de crime, o boletim de ocorrência ajuda a documentar os fatos e pode contribuir para a investigação.
Passo 4 — Utilize os canais de reclamação
Para solicitar a exclusão de consignado não reconhecido em benefício do INSS, o serviço oficial pode direcionar o consumidor ao Consumidor.gov.br.
O Procon e os canais de reclamação do Banco Central também podem ser utilizados conforme a natureza do problema.
Passo 5 — Se houve Pix para o fraudador, procure seu banco
Contate imediatamente a instituição financeira e solicite a avaliação do caso pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.
A utilização do MED não garante a recuperação integral dos valores e não substitui a contestação do empréstimo.
9. O banco responde pelo empréstimo fraudulento?
O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor trata da responsabilidade dos fornecedores por defeitos na prestação dos serviços, observados os requisitos e as hipóteses legais.
A Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a responsabilidade objetiva das instituições financeiras por danos decorrentes de fraudes e delitos de terceiros que configurem fortuito interno das operações bancárias.
Isso não significa que toda alegação resulte automaticamente na invalidação do contrato ou no pagamento de indenização.
Devem ser examinados fatores como:
- Os mecanismos de autenticação utilizados.
- As circunstâncias da contratação.
- O destino dos recursos.
- A ocorrência e a duração dos descontos.
- Os prejuízos efetivamente demonstrados.
- As medidas adotadas pelo banco após a contestação.
Conforme as provas e as circunstâncias do caso, pode haver fundamento para discutir judicialmente a inexistência da obrigação, a suspensão dos descontos, a restituição de valores indevidos e a reparação de danos comprovados.
A análise de eventual dano moral também depende das circunstâncias concretas. A existência de fraude bancária, isoladamente, não garante indenização automática em todas as situações.
10. Como prevenir golpes envolvendo empréstimos consignados?
A prevenção passa pela proteção dos dados pessoais, pela conferência dos contratos registrados e pela desconfiança diante de contatos inesperados.
Adote os seguintes cuidados:
- Não compartilhe senhas ou códigos de autenticação.
- Não permita que desconhecidos acessem remotamente seu celular.
- Consulte periodicamente os extratos do benefício.
- Mantenha o bloqueio preventivo quando não pretender contratar crédito.
- Confirme propostas e portabilidades diretamente com os bancos.
- Não pague taxas antecipadas para receber empréstimos.
- Não faça Pix para pessoas que prometem liberar crédito ou devolver valores.
- Guarde contratos, comprovantes e protocolos.
- Desconfie de mensagens com urgência excessiva ou promessas de vantagens extraordinárias.
Familiares podem ajudar aposentados e pensionistas a reconhecer abordagens fraudulentas, sempre respeitando sua autonomia e privacidade.
Diante de uma proposta suspeita, interrompa a conversa e verifique as informações por um canal oficial.
Conclusão: como proteger sua aposentadoria contra o golpe do consignado?
Golpes envolvendo empréstimos consignados podem comprometer a aposentadoria, a pensão e a estabilidade financeira de uma família.
As fraudes podem ocorrer por meio de contratos não autorizados, falsas propostas de crédito, falsa portabilidade ou pedidos fraudulentos de transferência de dinheiro.
Ao identificar uma operação desconhecida, o consumidor deve guardar os documentos, contestar formalmente a contratação e utilizar os canais adequados para investigar o ocorrido.
Uma dívida lançada no benefício não precisa ser aceita sem questionamento quando a operação não é reconhecida.
Perales Alerta — Informação que protege você, sua família e seu patrimônio
Perales Advogados — Guarulhos/SP
- WhatsApp: (11) 94519-2036
- E-mail: contato@peralesadvogados.com.br
- Site: https://www.peralesadvogados.com.br
Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise jurídica individualizada.
FAQ — 20 perguntas e respostas sobre o golpe do empréstimo consignado
1. O que é o golpe do empréstimo consignado?
É uma fraude em que criminosos simulam operações de crédito, contratam empréstimos indevidamente ou induzem consumidores a transferir dinheiro ou fornecer dados pessoais.
2. Como saber se fizeram um empréstimo consignado em meu nome?
Consulte o Extrato de Empréstimos Consignados no Meu INSS e confira as instituições financeiras, as parcelas e os contratos registrados.
3. Um banco pode descontar empréstimo sem minha autorização?
Uma contratação válida exige autorização do titular. Descontos decorrentes de uma operação sem consentimento válido podem ser contestados.
4. Onde encontro os descontos realizados na aposentadoria?
No extrato de pagamento do benefício, disponível no Meu INSS. Para verificar detalhes contratuais, consulte também o extrato de empréstimos consignados.
5. Como bloquear minha aposentadoria para novos empréstimos?
Acesse o Meu INSS, procure o serviço “Bloquear ou Desbloquear Benefício para Empréstimo” e siga as instruções apresentadas.
6. O bloqueio cancela empréstimos já existentes?
Não. O bloqueio é uma medida preventiva para novas operações. Contratos já registrados exigem procedimento próprio de contestação ou cancelamento.
7. Toda contratação exige reconhecimento facial?
Não necessariamente. Os mecanismos de autenticação dependem das regras vigentes e das alternativas admitidas para cada situação.
8. O INSS oferece empréstimos pelo WhatsApp?
O INSS não é a instituição financeira que concede o empréstimo. Desconfie de contatos que utilizem seu nome para solicitar senhas, dados sensíveis ou pagamentos.
9. É normal pagar uma taxa para liberar empréstimo?
Desconfie. O Banco Central orienta os consumidores a não realizar pagamentos antecipados para receber empréstimos, especialmente para contas de pessoas físicas desconhecidas.
10. O que é o golpe da falsa portabilidade?
É uma fraude que utiliza uma suposta transferência de dívida para induzir a vítima a contratar crédito indevido, revelar credenciais ou enviar dinheiro.
11. Recebi um empréstimo que não pedi. Posso gastar o dinheiro?
Não é recomendável. Preserve o valor e conteste a operação junto ao banco, solicitando instruções formais para a regularização.
12. Posso devolver o empréstimo por Pix para quem telefonou?
Não transfira dinheiro para desconhecidos. Qualquer devolução deve ser verificada diretamente com a instituição responsável e devidamente documentada.
13. Como provar que não contratei o consignado?
Guarde extratos e protocolos e solicite o contrato, os registros de autenticação, os documentos utilizados e os comprovantes do depósito.
14. Onde reclamar de empréstimo consignado não reconhecido?
Comece pela instituição financeira. Para solicitar a exclusão de consignado não reconhecido em benefício do INSS, verifique o procedimento indicado no Consumidor.gov.br. O Procon também pode ser pertinente.
15. É necessário registrar boletim de ocorrência?
É recomendável quando houver indícios de fraude. O registro documenta os fatos, mas não substitui a contestação junto à instituição financeira.
16. Posso recuperar um Pix enviado ao golpista?
Você pode solicitar ao banco a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável. A recuperação dos valores não é garantida.
17. O banco responde por empréstimo fraudulento?
Pode responder quando estiverem presentes os requisitos legais, inclusive nas hipóteses de fortuito interno reconhecidas pela Súmula 479 do STJ. A responsabilidade concreta depende dos fatos e das provas.
18. Tenho direito automático a danos morais?
Não. A possibilidade de indenização depende da análise das circunstâncias e das repercussões concretas da fraude. O dano moral não é presumido automaticamente em toda situação.
19. O que significam RMC e RCC no extrato?
RMC é a Reserva de Margem Consignável relacionada ao cartão de crédito consignado. RCC está relacionada à reserva de margem para cartão consignado de benefício. É necessário verificar qual produto foi efetivamente contratado.
20. Como proteger um familiar idoso contra esse golpe?
Oriente a conferência dos extratos, o bloqueio preventivo quando aplicável, a proteção das senhas e a verificação independente das propostas, sempre respeitando sua autonomia.






